UMA APOSTA PELA QUALIDADE
Chegar tarde à moda das encomendas a arquitectos famosos permitiu às cidades estremenhas a manutenção de locais intocáveis, salvar estradas, proteger uma paisagem secular e conservar a proporção de muitas povoações relativamente ao lugar que ocupam. Chegar tarde possibilitou a esta região testemunhar tudo o que acontecia noutras regiões e permitiu-lhe aprender a partir dos erros alheios. Longe de erguer um Guggenheim local, a arquitectura contemporânea estremenha apostou em construções relacionadas com o lugar: com materiais nobres e sólidos, que têm mais a ver com as pedreiras do que com a indústria.
FESTA MAIOR
Uma nova narrativa do conhecido escritor Jesús Sánchez Adalid, que assinou alguns dos livros mais vendidos do actual panorama editorial espanhol. Nesta série de textos, denominada “Paisagem com figuras”, o autor situa, em cada número da nossa revista, algumas das suas personagens no passado da Extremadura.
Nesta ocasião, onde a bonita vila de Trujillo é protagonista, o relato inicia-se da seguinte forma: “Saíram de casa, os três, fizeram-se à estreita rua e chegaram à grande Plaza Mayor, de onde avistavam os grandiosos palácios de pedra maravilhosamente ornamentados com brasões e bonitos gradeados. Cruzaram os alpendres e passaram entre as tendas que começavam a estender-se sobre as frescas lousas. O acesso às ruelas laterais estava fechado com vedações feitas de troncos, por causa dos touros que, por motivo da festa, seriam toureados naquela tarde. Por isso, tiveram que subir pela escadaria que levava ao bairro alto”.
NAVEGAR NA EXTREMADURA
Chega o Verão e o que mais apetece é lançarmo-nos à água. Muitos fazem-no a nado, outros – cada vez mais – navegam ou praticam windsurf. Na Extremadura?, perguntavam-se muitos dos visitantes que chegavam a esta região, que pensavam ser seca e sem água. Sim, na Extremadura navega-se. Aproveitando o facto de ser uma das regiões com mais metros de costa no interior da Península.
A costa estremenha não é apenas um habitat para desportistas, mas também para turistas que procuram aventura e natureza. Empresas especializadas no sector exploram estes recursos hídricos com ofertas de cursos ou passeios fluviais em todo o tipo de embarcações, que são cada vez mais procurados e que encontram na Extremadura os melhores cenários.
BARACK OBAMA E O FOIE ESTREMENHO
Da devesa estremenha directamente para Nova Iorque. Para o Vaticano. Para a China. Para Londres. Na realidade, para qualquer lugar do mundo. Há muito tempo que não existem fronteiras para os alimentos estremenhos, que são habituais nas melhores mesas do mundo. Trata-se dos produtos que são, historicamente, as estrelas desta região – queijos, vinho, presunto…. Mas também do mel proveniente da comarca de Las Hurdes e o foie de Fuente de Cantos. Verificar quais são os seus pontos de venda converte-se numa autêntica viagem através do mundo, o que mostra que, finalmente, a alta qualidade dos produtos estremenhos se uniu aos processos de comercialização.
FERNANDO PÉREZ MARQUÉS, MUITO SÉCULO XX
Fernando Pérez Marqués (1919-1993) nasceu em San Vicente de Alcántara numa família com antecedentes quase novelescos. Estudou magistério, viveu o terrível interlúdio da guerra e, já a exercer a sua profissão, passou por diferentes destinos como Granja de Torrehermosa, Santa Maria de los Barros e Badajoz. Em 1942 publicou o seu primeiro artigo e iniciou uma vida pública de professor e escritor ajustado ao molde da tradição liberal espanhola, que se iniciava com a Institución Libre de Enseñanza e havia culminado na escola da República.
AS OUTRAS RAIAS
Nesta edição, não nos centraremos apenas na Raia com Portugal, mas também nessas outras “Raias” que existem no Sul, no Norte e Este – talvez a mais desconhecida e a que aqui visitamos mais detalhadamente – da Extremadura. Três olhares complementares que procuram alguns lugares representativos desses pontos cardeais que merecem ser pensados com atenção: por isso, dedicamos-lhes o dossier deste número. J. R. Alonso de la Torre leva-nos até ao Este, Antonio Sáez Delgado ao Norte e o escritor português Ruy Ventura ao Sul.
HUECCO. DAS HURDES À CALIFÓRNIA
O músico estremenho Huecco (o nome artístico que Iván Sevillano tomou a partir de uma reserva de índios do Texas) poderia falar de duas mil coisas mas prefere falar do seu avô. Poderia contar-nos que muitos o consideram o inventor do Rumbatón, que em Espanha foi disco de platina em 2006 com o seu primeiro álbum e que na Alemanha, o que é raro para um músico latino, chegou ao Top 5 na lista de êxitos. Poderia dizer-nos que no ano passado gravou em Los Angeles, para a Warner, o seu segundo disco e como rodou um videoclip no qual aparecem um bom punhado de estrelas da televisão. Poderia fazer tudo isso, mas a primeira coisa que faz é falar-nos do seu avô. E da sua aldeia.
O LONGO CAMINHO DA CURTA-METRAGEM
“O cinema aprende-se no cinema”. “Cada um Aprende com base na rodagem e na montagem”. Nesse atelier de trabalho prático mencionado por alguns realizadores de curtas-metragens, cresceram os novos cineastas estremenhos, que fizeram deste formato supostamente menor um campo de criação e conhecimento.
O número de obras realizadas todos os anos não é extenso, mas é representativo da efervescência deste formato. Apesar de a ficção ser maioritária na produção estremenha, festivais como Cineposible ou Extrema’doc abriram espaço ao cinema documental, no qual se encontram também algumas das secções de Envideo”.
UM DESIGNER CACERENSE NO MÉXICO
O cacerense Daniel de la Cruz é o Director Criativo da Grupo W, empresa nomeada pela revista LatinSpots como a agência interactiva mexicana mais premiada nos últimos cinco anos e que foi, no ano passado, classificada pelo 2008 Gunn Report como a quarta agência de publicidade interactiva a nível mundial, além de ter sido galardoada em vários festivais nacionais e internacionais como Cannes, One Show Interactive, New York Festivals, Art Directors, Wave Festival ou Flash in the Can, entre outros. O actual prestígio de Daniel de la Cruz vai além do seu trabalho na agência, pois foi também membro de júris em eventos como o One Show Interactive (Estados Unidos), Círculo Creativo (México), FIAP (Argentina) ou o London International Awards (Reino Unido). Participa frequentemente, por meio mundo, como orador em conferências e seminários e publicou, até ao momento, vários livros, sendo provavelmente o mais prolífico autor em língua espanhola dos programas Flash e ActionScript e de design interactivo.
CRIATIVOS SÉCULO XXI. CARLOS F. CALDERÓN
Com pouco mais de vinte anos, o jovem engenheiro de som e produtor nascido em Don Benito, Carlos F. Calderón, era já um dos principais nomes da cena musical estremenha, enquanto membro das bandas Psicotic Foster ou Godard.
Há dez anos co-fundou os estúdios Rec Division, em Madrid e começou a jogar no campeonato nacional. Músico de sessão e remixer de artistas como Alaska, Pull, La Unión, Digital XXI, The Monks, Calígula 6000 ou Nu Sur les Galets, entre outros, levou a cabo, enquanto compositor, campanhas publicitárias para empresas e entidades como a Volvo, Coca-Cola, Loewe, Ono ou Antena 3. Mas talvez seja mais conhecido como o guitarrista dos Cycle, que com o seu primeiro disco se converteram numa das surpresas do panorama musical espanhol e internacional.
Traducción de Mónica Martins
